Reiki, Baralho Cigano,Espiritualidade, Metafisica,Poesia,Florais e Feng Shui
terça-feira, 19 de julho de 2011
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O Sonho de Kabir
O sufismo é um caminho para a auto-realização e espiritualidade através da emoção e da sensibilidade. Para um sufi, sua sensibilidade é o seu guia. Dessa maneira, o papel de um mestre sufi não é o de passar determinados conhecimentos, mas o de tocar a inocência existente no fundo do coração do aluno de maneira que ele passe a experimentar por si mesmo as dimensões mais extraordinárias da vida, de maneira que ele passe a sentir Deus dançando no coração e, a partir daí, toda a vida se torne uma dança; de maneira que ele passe a escutar Deus dançando em seu coração e toda a vida passe a ser uma melodia harmônica.
Dessa maneira, o mestre sufi não costuma ser impositivo, mas sedutor. Um mestre sufi não apresenta um conjunto de regras a ser seguido para que o aluno se desenvolva, mas procura seduzi-lo, proporcionando ao aluno um gosto da espiritualidade, uma amostra da experiência amorosa espiritual, de modo que o aluno se mobilize por si só, com seus próprios meios, para alcançar essa realidade. Ele não impõe disciplina, mas induz à mobilização; ele não obriga o peixe a morder a linha, mas joga atraentes iscas ao mar, ele não obriga a ninguém a comer de seu manjar, mas faz o mel e espera que as abelhas venham por impulso próprio.
O sufi evita o caminho das regras rígidas por que entende a vida como uma sequência de surpresas e de mistérios que vão se revelando como flores na primavera e voltam a se esconder como a seiva do carvalho se enterra no inverno. Assim, ele entende que nenhuma regra concebida no passado será capaz de responder totalmente à nova situação, mas que a sensibilidade escondida no centro do peito será sempre capaz de dançar com o novo momento, de responder às novas questões. Só ela.
Para o poeta místico Kabir, sufi indiano de Benares do século XV, “a espiritualidade não reside em templos, rituais, cerimônias e nem mesmo nas mortificações dos iogues”, mas “o buscador sincero a encontrará naturalmente” uma vez que essa espiritualidade é a “respiração de tudo o que respira”. Kabir é um dos muitos expoentes da cultura sufi que utilizou a poesia como maneira de induzir às sutilezas mais impensadas do coração, ou pelo menos passou o gosto dessas experiências em sua poesia. Ele era o próprio sabor e aroma do sufismo em suas atitudes e versos; inebriava os que estavam à sua volta e os conduzia a espaços onde todas as contradições eram dissolvidas e se experimentava “a mais simples união”.
Kabir era emoção pura. Com isso não quero dizer que ele era todos os tipos de emoções que conhecemos normalmente, um turbilhão delas, condensado num único corpo; mas que a emoção vista nele era pura como a água de uma fonte de bosque. E sua poesia da mesma forma passava, cristalina, a fragrância dessa água. Uma fonte que sempre vinha de dentro. “Não vás para o jardim florido! / Ó amigo! Não te voltes para lá; / É em ti que se encontra esse jardim. / Escolhe teu lugar entre as mil pétalas do interno lótus, / E contempla desse posto a beleza infinita.”
Ao falar do lótus de mil pétalas, Kabir fala de algo íntimo à cultura popular indiana, o lótus de mil pétalas, uma representação simbólica do sétimo e último chakra, o da revelação final da verdadeira natureza humana, o chakra que desperta na experiência da dissolução do ego, no momento de encontro de nossa real identidade e do fim de todas as ilusões, no momento em que, nas palavras de Kabir, todas as contradições deixam de existir.
Mas, ao ouvi-lo falar de jardins internos, não pense que Kabir era um escapista, alguém que condenava ou evitava a vida, um sufi nunca o é. “Desde o dia em que encontrei Deus, / não tem mais havido limite para o divertimento de nosso amor / eu não fecho meus olhos, eu não tampo minhas orelhas / eu não mortifico meu corpo; / eu vejo com olhos bem abertos e sorrio / e observo a sua beleza em todos os lugares.” Sim, o sufismo é um caminho includente. Há dois tipos de caminhos espirituais no mundo, os includentes e os excludentes. Os excludentes são os caminhos referenciados pelo “não” “não faça isso, que é pecado”, “não faça isso, que Deus castiga” “não faça aquilo que é desonroso”; os caminhos da espiritualidade baseados no “não” induzem sempre à culpa e ao atrofiamento de nosso discernimento próprio. Os caminhos includentes são aqueles que aceitam as experiências como elas são e que fazem sua arte a partir delas. Os caminhos includentes, tratam de lidar com a realidade e fazer dela uma trilha para a lucidez.
No entanto, não basta aceitar a vida como ela é, se não aceitarmos nossa sede interior de crescimento e de realização. Não estabeleceremos uma relação de crescimento com a vida se imperar apenas a vida com ela é, se não estivermos presentes nessa relação, se nossa parte mais legítima não puder se manifestar nessa relação. Assim, a aceitação do sufi não é apenas uma aceitação passiva da realidade externa que se impõe, mas uma aceitação plena: do outro, de si, e da dança possível e inteligente entre os dois. Uma aceitação do momento como possibilidade de crescimento e revelação de sua identidade mais íntima. Afinal, de que vale a vida se você não puder estar presente nela? E de que vale estar presente se a pessoa nega a si mesmo o direito de usufruir do que vive?
A aceitação para o sufi, deve ser total, incluindo aí o si mesmo. E ela é o ponto de partida, mas não é tudo. “Não ouviste a melodia que a Música não tocada espalha no ar? / Bem no centro da câmara, a harpa da alegria soa com suavidade e doçura; / que necessidade tens de sair para ouvi-la? / Se não bebeste o néctar desse Único Amor, / de que te servirá purificar-te de toda a mácula?”. Sim, o sufi é uma escola espiritual que não nega a vida mas, ao contrário, a eleva às suas mais instigantes possibilidades.
Kabir diz: “Não são os sacrifícios que mortificam o corpo que agradarão o Senhor”... “aquele que permanece calmo em meio à agitação mundana, / que estima as criaturas da terra como a si mesmo / Este obtém o Ser Imortal” “Aquele cujas palavras são puras / e que libertou-se do orgulho e do preconceito / alcança o verdadeiro Nome”.
Enfim, o caminho de Kabir se faz através da experiência e não o da teoria, mas é um caminho que transforma a experiência. E faz isso a partir da presença do coração. “As travas do intelecto mantêm a porta fechada, / abre-a com a chave do amor, / ao abrir a porta, despertarás a Consciência / Oh irmão! não deixes passar uma oportunidade como essa.” Para Kabir, a vida, cada momento dela, é uma oportunidade de revelar o amor e a sabedoria presentes na existência. Através da força inerente que todos carregamos no peito.
As meditações contemporâneas sufis foram desenhadas com o intuito de realizar o sonho de Kabir, o sonho de uma vida “onde reina a primavera, senhora das estações, / e uma música soa por si mesma / Onde fluem torrentes de luz em todas as direções; / Poucos são os homens capazes de alcançar essas margens, / Onde milhões de Krishnas permanecem de mãos postas, / Onde milhões de Brahmas lêem os vedas, / Onde milhões de Shivas estão perdidos em contemplação... / Lá está meu Mestre Auto-revelado: / e a fragrância de sândalo e de flores inundam aquelas profundezas”.
Pedro Tornaghi
Artigo para o site http://pedrotornaghi.com.br
terça-feira, 12 de julho de 2011
" A ÁGUIA E AS GALINHAS "
UMA METÁFORA DA CONDIÇÃO HUMANA
Um camponês criou um filhote de águia junto com suas galinhas.
Tratando-a da mesma maneira que tratava as galinhas, de modo que ela pensasse que também era uma galinha.
Dando a mesma comida jogada no chão, a mesma água num bebedouro rente ao solo, e fazendo-a ciscar para complementar a alimentação, como se fosse uma galinha. E a águia passou a se portar como se galinha fosse.
Certo dia, passou por sua casa um naturalista, que vendo a águia ciscando no chão, foi falar com o camponês:
- Isto não é uma galinha, é uma águia!
O camponês retrucou: - Agora ela não é mais uma águia, agora ela é uma galinha!
O naturalista disse: - Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa...
Levou-a para cima da casa do camponês e elevou-a nos braços e disse:
- Voa, você é uma águia, assuma sua natureza !
- Mas a águia não voou, e o camponês disse:
- Eu não falei que ela agora era uma galinha !
O naturalista disse: - Amanhã, veremos...
No dia seguinte, logo de manhã, eles subiram até o alto de uma montanha.
O naturalista levantou a águia e disse: - Águia, veja este horizonte, veja o sol lá em cima, e os campos verdes lá em baixo, veja, todas estas nuvens podem ser suas.
Desperte para sua natureza, e voe como águia que és...
A águia começou a ver tudo aquilo, e foi ficando maravilhada com a beleza das coisas que nunca tinha visto, ficou um pouco confusa no início, sem entender o porquê tinha ficado tanto tempo alienada.
Então, ela sentiu seu sangue de águia correr nas veias, perfilou de vagar, suas asas e partiu num vôo lindo, até que desapareceu no horizonte azul."
Criam as pessoas como se galinhas fossem, porém, elas são águias.
Todos podemos voar, se quisermos.
Voe cada vez mais alto, não se contente com os grãos que lhe jogam para ciscar.
Nós somos águias, não temos que agir como galinhas, como as vezes querem que sejamos.
Pois com uma mentalidade de galinha fica mais fácil controlar as pessoas, elas abaixam a cabeça para tudo, com medo.
Conduza sua vida de cabeça erguida, respeitando os outros, sim, mas com medo, nunca!
TAROT
O Tarot é um método divinatório onde são usadas cartas para saber de uma situação presente, passada ou futura.
São considerados mais importantes os arcanos maiores embora todas as cartas tenham significados que ajudam nas interpretações.
O Tarot, assim como o I Ching, podem e frequentemente são usados como oráculos.
Buscam-se respostas, conselhos. Mas isso é uma forma reduzida de ver as coisas.
Ambos também podem ser usados com essa finalidade, mas o seu melhor auxílio é em nos mostrar um outro ponto de vista. Todos nós somos únicos. Temos nossas próprias opiniões.
O que outra pessoa possa dizer pode ser relevante, mas terá forçosamente que ser adaptado ao nosso modo de ser, de sentir. Não existe uma receita universal para ser feliz! (seria bom, não é? )
No Tarot as cartas se referem a diversas circunstâncias da vida, como se fosse uma jornada.
A carta número 1, representa a pessoa como ela é, cheia de potenciais que precisa saber usar, praticar.
Esse caminho nos leva à última carta, de número 21, O MUNDO.
A consciência do nosso lugar, nosso centro, nossa parcela de Deus.
Que nos fala de uma integração consciente inconsciente. De uma totalidade corpo, mente, espírito.
De circulação de energia. Uma dança em contínuo desenvolvimento. Uma constante liberação, renovação.
A individualidade em perfeita harmonia com todos os elementos. Nem mais nem menos.
Fazendo parte, com liberdade para expressar-se sem esforço. Ser o que se é.
A carta do Mundo simboliza um estado ideal de vida.
Nela pode-se ver ao centro uma figura feminina que simboliza nossa essência.
A figura é central e está rodeada por uma guirlanda de folhas, que protege, mas não limita.
A pessoa está como que dançando a música da vida, no seu ritmo. Despreocupada, protegida.
Livre para agir, ao seu modo. É quietude e movimento. Todas as outras coisas estão nos lugares certos.
O que é material, físico, está providenciado, no nível material.
O que é mental e espiritual está acima, no seu nível. Nada é esquecido.
Nem as necessidades do corpo nem da alma. É uma situação de total equilíbrio.
Esta carta onde tudo é como deve ser, contrasta com a carta de número 12- O Pendurado.
No Pendurado a pessoa está passando por momentos difíceis.
Sofrendo. Mas poderia sair da situação se quisesse. É um sacrifício ou sofrimento quase voluntário.
Como se a pessoa achasse que seu sacrifício é necessário. Mas... Será que é mesmo?
Como mostra a carta, nada a prende na verdade. Portanto depende exclusivamente da pessoa sair da posição em que se encontra. O interessante é que as duas cartas têm semelhanças.
Se virarmos a carta do Enforcado, ( o que é uma tendência natural em quase todos ) veremos como ela tem semelhanças com a carta do Mundo.
Não é o caso de se fazer uma reflexão?
Quem sabe podemos sair da situação aflitiva em que nos encontramos virando tudo de cabeça para baixo?
Quem sabe assim teremos um novo ângulo da questão?
Quem sabe estamos tão dentro de um problema que nem vemos a saída?
O certo é que na carta do Mundo tudo está em ordem. E na do Enforcado estamos sofrendo.
A pergunta é; será que não podemos mesmo, fazer nada para melhorar as coisas, ou será que já nos acostumamos a aceitar as derrotas? A pior coisa que pode acontecer é nos acostumarmos com o que não presta.
Daí para achar que é natural, é só um passo... Não é natural! Deus não nos criou para sofrermos.
Porque sofrimento? Pode vir de Deus algo que não seja bom?
ELE quer que a gente aprenda, cresça. E que sejamos felizes.
Mas compete a nós não cedermos ao sofrimento. Não nos acostumarmos a isso.
Temos momentos de raiva, de exaustão. É natural, somos aprendizes...Desde pequenos ouvimos que só através de muito esforço se chega a algum lugar. Isso é verdade até certo ponto, porque todo aprendizado demanda empenho, vontade. Mas trabalhar usando nossos talentos. Naquilo que fazemos bem e com amor.
Só assim podemos agradecer os presentes, os talentos, que ELE nos deu.
Acho que todo mundo conhece a parábola dos talentos...
A carta do Mundo nos faz ver bem claro que fazemos parte desse mundo, e como todos os outros seres vivos, somos crianças do Universo.
Temos o direito e o dever de escolher viver em paz. Com amor, alegria e proteção Divina.
Acredito que o principal é analisar o que está acontecendo e pelo menos tentar, achar a nossa saída.
Sem culpar os outros e acima de tudo, sem se culpar. Somos aprendizes. É natural que erremos.
Também é natural superarmos nossos erros, aprendermos e provavelmente, errar de novo...
Em qualquer aprendizado isso acontece. Foi assim na escola, porque não seria na vida?
Se o mundo e a realidade se alteram, e se nós fazemos parte desse mundo e dessa "realidade",
é lógico pensar que se dermos um passo no sentido de melhorar, melhoramos o mundo, a realidade.
Todos somos únicos, e todos fazemos parte, somos um conjunto.
Eu acredito que temos que achar nosso ritmo, aquilo que nos é essencial, que faz bem à nossa alma.
E se não procurarmos nossa paz dentro de nós, onde mais poderemos achá-la?
Para isso acho a meditação indispensável. Um pouco. Todos os dias, Encontro com a alegria, a paz.
Para termos uma mente vigorosa, gentil, consciente, pessoal, íntegra.
Elsa Cals Brügger
segunda-feira, 11 de julho de 2011
“ Eu prometo não te prometer nada
Nem te amar pra sempre
Nem não te trair nunca
Nem não te deixar jamais
Estou aqui, te sinto agora
sem máscaras nem artifícios
e enquanto for bom para os dois que o outro fique
Nada a te oferecer senão eu mesma
Nada a te pedir senão que sejas quem tu és
A verdade é o que de melhor temos para compartilhar
Tuas coisas continuam tuas
E as minhas, minhas.
Não nos mudaremos na loucura de tornar eterno
Esse breve instante que passa
Se crescermos como pessoas
Ainda que em direções opostas
Saberemos nos amar pelo que somos
Sem medo ou vergonha
de nos mostramos um ao outro por inteiro
Não te prendo e não permito que me prendas
Nenhuma corrente pode deter o curso da vida
Nenhuma promessa pode substituir o amor
Quero que sejas livre como eu própria quero ser
Companheiros de uma viagem que está começando
Cada vez que nos encontramos novamente.”
Geraldo Eustáquio de Souza.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Casa arrumada - Carlos Drummond de Andrade
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas Casa, pra mim, tem que ser Casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando OS móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa Casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que OS livros saem das prateleiras e OS enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa DA cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é Casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque Ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio DA tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara DA gente.
Arrume a sua Casa todos OS dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.
Mas Casa, pra mim, tem que ser Casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando OS móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa Casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que OS livros saem das prateleiras e OS enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa DA cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é Casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque Ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio DA tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara DA gente.
Arrume a sua Casa todos OS dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.
E BOM SER IMPERFEITA
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros...
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem...
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
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