Bolhas de sabão - ( Marcelo Bernardo )
Bolhas de sabão
que voam ao vento,
não duram muito tempo,
estouram na imensidão...
Meu sorriso de criança
e o mais puro sentimento,
não se apagam no tempo
como as bolhas de sabão...
Ainda sou o seu menino,
sua eterna e amada criança,
que voa nas asas do vento
e da minha imaginação...
Apesar de tudo,
do tempo e o vento,
os nossos momentos
ficaram no coração...
Reiki, Baralho Cigano,Espiritualidade, Metafisica,Poesia,Florais e Feng Shui
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domingo, 26 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
As cinco Filhas da Inveja e aprenda a identificar, superar e se proteger de pessoas invejosas
13/08 /2018
Quando o assunto é inveja, são poucos os que não precisam de
ajuda.
Pode-se perceber a presença deste sentimento em todas as
modalidades de relações humanas: na vida social, nas amizades, no trabalho e
até nas famílias.
Este é um sentimento poderoso e lidar com ela requer um grau de
inteligência emocional do qual a maior parte das pessoas está muito distante.
No artigo de hoje – mais um artigo épico! – Vamos investigar a
invídia em profundidade: o que é, sua psicologia, seus “sintomas”, como
superá-la e proteger-se dela.
Se você leva seu desenvolvimento pessoal a sério irá se
beneficiar muito desta leitura. Aqui está o nosso roteiro de estudos:
• O que é a inveja?
• A psicologia da dor da inveja
•. As 5 filhas da inveja, segundo Santo Tomás de Aquino
•A dinâmica da inveja: as 5 filhas da inveja na prática
•. Como identificar a inveja no dia-a-dia
• A inutilidade e a vergonha da inveja
•. É inevitável sentir inveja?
•. Como superar a inveja?
•
O que é a inveja?
Sócrates a chamou de “a úlcera da alma” e Dante Alighieri a
descreveu em sua Divina Comédia como um ser cujos olhos estavam costurados com
arame.
Essas duas referências, feitas por duas das mentes mais
brilhantes que a humanidade já conheceu, servem para mostrar a feiura deste
sentimento.
A palavra deriva do latim – invidia –, de IN, “em”, mais VEDERE,
“ver”, “olhar”. O invejoso é aquele cujo olhar não desgruda nem se distancia
dos bens alheios.
Mas o que é, afinal, a invídia? Como podemos defini-la?
A definição dada pela psicologia é bastante precisa:
[A inveja é] o deslocamento da energia do potencial de
determinado indivíduo para a exacerbada preocupação com a satisfação e prazer
de outra pessoa, geralmente íntima do sujeito em questão.
A inveja é, então, o resultado da dificuldade de lidar e
conviver com o sucesso alheio. Ela é a dor causada pelo desejo não satisfeito
de ter as conquistas e vantagens que outras pessoas têm.
Para que um sentimento possa ser caracterizado como inveja, 3
condições precisam ser satisfeitas:
1.O indivíduo deve estar diante de alguém que é portador de um
bem visto como superior, seja esse bem material, moral ou espiritual.
2.O indivíduo deve desejar esse bem visto como superior para si
mesmo; e/ou desejar que o portador deste bem não o possuísse.
3.Esse desejo não satisfeito deve causar dor naquele que deseja.
A psicologia da dor da
inveja
Para Dante Alighieri, a inveja é um ser cujos olhos estão
costurados com arame (a escultura de Karen Coburn materializa a descrição de
Dante).
A dor do invejoso não é tanto a dor causada por não possuir
certos bens e qualidades, mas a dor de enxergar-se como indigno daqueles bens.
O invejoso frequentemente vê a si mesmo como alguém incapaz de
conquistar bens semelhantes aos bens do invejado.
Essa percepção de si mesmo pode levar o invejoso a:
Tentar destruir a reputação daquele a quem inveja.
Tentar destruir ou rebaixar os bens cobiçados.
Essa é a grande tragédia do invejoso: ele luta para destruir,
por diversos meios, o portador dos bens ou os próprios bens aos quais ele
almeja.
E o pior: faz isso sem perceber.
As 5 filhas da inveja,
segundo Santo Tomás de Aquino
Assim como fizemos em nosso artigo sobre o método de memorização
dos filósofos e sábios, vamos recorrer novamente a Santo Tomás de Aquino
(Roccasecca, 1225 — Fossanova, 1274) nessa investigação sobre a inveja.
Santo Tomás diz que a inveja é um atentado contra o amor, já que
é próprio do amor – e também da amizade, que é um “tipo” de amor – querer o bem
do outro como queremos o nosso. Ele cita Aristóteles, que diz que um amigo é
como se fosse “um outro eu”.
A inveja é considerada um dos 7 Pecados Capitais. Os pecados (ou
vícios) capitais são aqueles que, quando praticados, geram outros vícios.
Trata-se, na linguagem moderna, daquilo que chamamos de “uma bola de neve”.
Os vícios que decorrem da invídia são chamados por Santo Tomás
de “filhas da inveja” e são cinco:
Murmuração. A conhecida “fofoca”, tão comum e conhecida de todos
nós.
Detração. O falar mal abertamente, “sem papas na língua”, também
conhecida como difamação ou maledicência.
Ódio. A aversão intensa motivada por medo, raiva ou injúria
sofrida
Exultação pela adversidade. O popular “rir da desgraça alheia”.
Aflição pela prosperidade. A tristeza sentido ao ver o progresso
do outro.
O conhecimento dessas “5 filhas da inveja” é fundamental para
nós, pois é a partir da percepção delas na nossa vida diária que nos tornamos
capazes de reconhecê-la, tanto a nossa própria quanto a de outras pessoas.
A dinâmica da inveja: as 5
filhas da inveja na prática
Essa forma de cobiça pode ser entendida como uma espécie de
tristeza pelo sucesso do outro, que passa a ser considerado pelo invejoso como
um mal.
Oprimido por essa tristeza, o invejoso é levado a ter atitudes
para afastar ou eliminar esse sentimento. E isso o faz praticar os atos
descritos acima como “as cinco filhas” com o objetivo de atacar o invejado.
Vejamos como se dá essa dinâmica, que tem um início e um fim
muito bem definidos.
Tudo começa com a tentativa de diminuir o bem e as qualidades do
invejado falando mal dele. Esse “falar mal” pode acontecer de duas formas:
Disfarçadamente, pela murmuração, que é a primeira filha da
inveja.
Abertamente, pela detração, que é a segunda filha.
Depois das etapas acima, as coisas ficam ainda piores: o
invejoso ultrapassa os limites do falatório e começa a desejar o mal do
invejado, o que o leva ao ódio, que é a terceira filha da inveja.
Quando, em algum momento, o invejado sofre alguma perda ou passa
por alguma dificuldade, acontece então algo horrível: o invejoso se alegra com
a queda do invejado e seu infortúnio – é a exultação pela adversidade, a quarta
filha, popularmente chamada de “rir da desgraça alheia”.
Mas quando essa queda não acontece, há então a aflição pela
prosperidade, a quinta filha: o invejoso então mergulha numa tristeza profunda,
já que o objetivo de impedir o sucesso do outro não foi alcançado.
Isso tudo é horrível, não é mesmo? Não queremos passar por isso.
Vamos continuar, pois ainda há muito o que aprender sobre esse
mal e, principalmente, sobre como reconhecê-lo e evitá-lo.
Como identificar a inveja no
dia-a-dia
Agora que conhecemos a dinâmica da inveja e suas 5 filhas,
podemos usar esse conhecimento para identificar esse sentimento em nossa vida
cotidiana, tanto a nossa própria quanto a de outras pessoas.
O primeiro passo para isso é usar o método de meditação e
memorização que ensinei nesse artigo para memorizar as cinco filhas.
Durante suas meditações sobre a inveja e suas filhas, comece a
identificar, pouco a pouco, situações e fatos reais da sua vida onde você
sentiu ciúme, cobiça ou avidez e manifestou alguns dos 5 “sintomas” que
estudamos acima.
Todos nós já fizemos alguma fofoca (murmuração) ou falamos mal
de alguém para outras pessoas (detração).
Muitos de nós já praticaram o “rir da desgraça alheia”
(exultação pela adversidade) ou se entristeceram com o sucesso de alguém
(aflição pela prosperidade).
Veja tudo isso com grande clareza e calma nas suas meditações.
Apenas veja, sem fazer dessa visão motivo de vergonha.
Ao observar essas atitudes com uma mente e um coração abertos e
dispostos a melhorar, você já terá iniciado o seu processo de superação da
inveja. Foi com esse método que alcancei grandes resultados.
O que a inveja causa:
inutilidade e vergonha
Entre os 7 Pecados Capitais, a inveja é o mais inútil e aquele
do qual mais nos envergonhamos.
Vejamos a “utilidade” dos outros 6 Pecados Capitais:
Na gula há o prazer de saborear os bons alimentos.
Na luxúria há o prazer do sexo.
Na preguiça há o prazer do descanso e do relaxamento.
Na avareza há a utilidade da acumulação de dinheiro ou de bens
materiais.
No orgulho há o prazer de sentir-se superior aos outros.
Na ira há o prazer de subjugar alguém.
Mas e a inveja? Nela não há benefício nem prazer, apenas dor e
vergonha.
Podemos dizer que gostamos de comer muito (gula), de fazer muito
sexo (luxúria), de não fazer nada (preguiça), que somos “mão de vaca”
(avareza), que temos muito “amor-próprio” (orgulho) e que somos agressivos e
violentos em certas situações (ira).
Tudo isso falamos abertamente, sem vergonha nem medo, mas jamais
dizemos “eu sou invejoso” – e fazemos os esforços para manter nossa inveja
oculta, pois a descoberta dela nos deixaria profundamente envergonhados.
O que a inveja causa é isso:
dor e vergonha.
É inevitável sentir inveja?
Acho que se nos basearmos em nossa própria experiência e
quisermos ser realmente sinceros diremos “sim, é inevitável sentir inveja”.
É que ela, sendo a dor causada pelo desejo não satisfeito de
possuir os bens de outra pessoa, surge invariavelmente da comparação.
O invejoso olha para o que tem, olha para o que outra pessoa tem
e então compara essas duas coisas: se percebe que o outro tem mais ou tem o que
ele gostaria de ter, tem inveja.
Sendo assim, para não
invejar seria necessário nunca comparar. Mas será que é possível nunca
comparar? Não acredito que seja possível, pelo menos não para a grande maioria
das pessoas.
É próprio do funcionamento do cérebro comparar. Pensamos por
meio da comparação: confrontamos ideias, avaliamos umas a partir de outras,
medimos seu alcance e suas consequências etc.
É claro que a comparação nem sempre conduz à inveja, mas em alguns
momentos ela inevitavelmente conduzirá, especialmente em momentos de
instabilidade psicológica nos quais estamos mais propensos a reclamar e
invejar.
O sociólogo austríaco Helmut Schoeck (Graz, 1922 —
Niedernhausen, 1993), autor de ENVY: A Theory of Social Behaviour, um livro
sobre a inveja, afirmou categoricamente que a inveja faz parte da natureza
humana e por isso é inevitável.
Particularmente, penso que nossa preocupação não deve ser
eliminar esse mau sentimento, tarefa que talvez seja impossível, mas aprender a
reconhecê-lo e rejeitá-lo nos momentos certos.
Como superar a inveja?
Cuide do seu olhar. Não do “olhar” que é o sentido da visão, mas
do olhar que é, por assim dizer, a visão do espírito e do coração.
Podemos olhar para as pessoas e objetos de muitas maneiras
diferentes, com muitas intenções diferentes.
Podemos lançar um olhar de reprovação ou um olhar de boa
vontade. Podemos lançar um olhar de cobiça ou de pura contemplação.
Podemos lançar um olhar de inveja. A inveja nasce no olhar.
Aliás, muitos males nascem do nosso olhar.
Quando Jesus diz que “os olhos são a lâmpada do corpo” e que “se
os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” é essa a advertência que
Ele nos faz.
Todo o segredo para a superação da nossa própria inveja reside
no aprimoramento da nossa capacidade de olhar as coisas com bons olhos.
Como se proteger da inveja?
Seja simples, silencioso, humilde.
Muitas pessoas atraem a inveja alheia quase por esporte. Gostam
de exibir-se e apresentam seus bens e conquistas sempre que podem.
As redes sociais estão repletas de pessoas assim e quase todos
nós já fizemos isso alguma vez, ainda que sem uma consciência clara disso.
A verdade é que não podemos gerenciar o sentimento de outras
pessoas. Se cuidarmos da nossa própria inveja já estaremos fazendo um grande
trabalho.
A única coisa que está ao nosso alcance é agir humildemente,
tomando cuidado para não inflamar nas pessoas ao nosso redor esse terrível
sentimento.
Conclusão: enfrentando a
inveja da melhor maneira
Neste artigo, vimos que a inveja é o deslocamento da energia do
potencial de determinado indivíduo para a exacerbada preocupação com a
satisfação e prazer de outra pessoa, geralmente íntima do sujeito em questão.
Vimos que para caracterizar um sentimento como inveja, é preciso
haver 3 condições básicas:
O indivíduo deve estar diante de alguém que é portador de um bem
visto como superior, seja esse bem material, moral ou espiritual.
O indivíduo deve desejar esse bem visto como superior para si
mesmo; e/ou desejar que o portador deste bem não o possuísse.
Esse desejo não satisfeito deve causar dor naquele que deseja.
Quando tais condições estão presentes, o invejoso sofre tanto
por se sentir indigno de ter esses bens quanto por querer tentar diminuir ou
destruir os bens e a própria pessoa invejada.
Isso leva aos vícios que Santo Tomás de Aquino classificou como
as cinco filhas da inveja: Murmuração, Detração, Ódio, Exultação pela
adversidade, Aflição pela prosperidade.
Na prática, esses vícios apresentam-se em uma escala crescente.
Todos nós já sofremos com a inveja. Mas o fato é que ela na prática só traz
inutilidade e vergonha.
E, se esse é um sentimento inevitável, o que podemos fazer é
cuidar do nosso próprio olhar para reduzir ao máximo a inveja e assim evitar
todos os problemas que ela nos causa.
Se você tiver alguma dúvida, deixe um comentário logo abaixo que
teremos o maior prazer em respondê-lo.
André Valongueiro é coach, educador e escritor. Vive a vida nos
seus próprios termos, viajando o mundo enquanto trabalha 100% online. Aprendeu
a arte de realizar sonhos com paz e sem ansiedade e quer ajudar você a fazer o
mesmo.
Olá!
Resolvi hoje colocar um tema fora do assunto alimentação. Para
que pensemos se ao vermos alguém magro, não queremos aquele corpo para nós,
sonhando que tudo aquilo conquistado foi de graça, que a pessoa não se
empenhou, esforçou para conseguir alcançar sua meta e desejo.
Serve de alerta para cada um de nós.
Linda semana e até a próxima postagem!
sábado, 7 de julho de 2018
Você gosta de ficar sozinho? Confira dez vantagens que possuem as pessoas que gostam de ficar sozinhas!
Algumas pessoas
têm grandes dificuldades para falar em público e frequentar lugares com muita
gente.
Se pudessem, elas
ficariam a maior parte do tempo sozinhas.
Por mais que isso
pareça estranho para alguns, é um traço de personalidade completamente normal.
Difícil é ser
assim, vivendo numa cultura onde todo mundo é levado a se expor e sair
socializando com amigos e desconhecidos a qualquer hora.
Entenda: há
vantagens também em ser uma pessoa introvertida.
É por isso que não
devemos sair menosprezando quem não gosta de multidão.
Nesta matéria,
separamos alguns benefícios desse tipo de personalidade:
1. Mais força emocional
Pessoas que gostam
de estar sozinhas costumam lidar melhor com as próprias emoções.
Isso não é por
acaso.
Acontece que elas
passam a maior parte do tempo analisando a vida e os sentimentos.
Ter essa
capacidade de entender, gerenciar e canalizar melhor as emoções é uma grande
qualidade.
2. Maior sensibilidade
Estudos sugerem
que as pessoas que preferem ficar sozinhas estão mais em contato com os
pensamentos, sentimentos e emoções.
Isso faz com que
elas sejam mais sensíveis.
Ou seja, se
importem mais com a dor dos outros.
3. Mais tolerância
Parece estranho, não
é?
Pessoas
introvertidas tendem a ser mais compreensivas com o diferente do que as
extrovertidas, mas é o que revelam os estudos.
Parece que ficar
sozinho nos proporciona reflexões profundas sobre nós mesmos e o mundo ao
redor.
É por isso que
entender o outro é mais fácil, torna-se um hábito.
4. Não precisam de aceitação
Os introvertidos
costumam entender que a sociedade moderna é tão influenciada e superficial, que
não vale a pena seguir o padrão.
Isso significa que
não necessitam aparecer e dispensam ser o centro das atenções.
Normalmente, são
pessoas mais seguras e determinadas.
5. Facilidade em admitir os defeitos
Como não se
importam tanto com a aceitação de todo mundo, essas pessoas têm mais facilidade
para confessar quando estão erradas.
Assim, podem
consertar as falhas e recomeçar.
6. Valorização do tempo
As pessoas que
preferem passar mais tempo sozinhas compreendem o verdadeiro valor do tempo.
Por isso acabam
fazendo mais coisas e aproveitando mais do que as que vivem em grupo
constantemente.
7. Independência
Pessoas que gostam
de ficar sozinhas são mais independentes.
Isso significa
também que elas não precisam estar sempre acompanhadas de alguém para se
sentirem amadas e valorizadas.
8. Amor próprio
As pessoas que
preferem estar na companhia dos outros são mais propensas a se esquecerem de si
mesmas.
Para encontrar a
verdadeira felicidade e formar relacionamentos felizes e saudáveis, precisamos
nos amar primeiro.
Esse amor próprio
costuma ser mais fácil nas pessoas que gostam de ficar sozinhas.
9. Valorização dos relacionamentos
Aqueles que
preferem ficar sozinhos valorizam mais quando encontram a pessoa certa.
Ou seja, são mais
confiáveis, seja na vida amorosa, seja na profissional.
10. Consciência dos pontos fortes e fracos
Ser honesto
consigo mesmo sobre quais são seus pontos fortes e fracos é crucial para o seu
desenvolvimento pessoal.
E esta é uma
qualidade quase unânime dos mais introvertidos.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Desapego: Coisas Novas
Domingo à noite eu
já estava me preparando para descansar, quando a minha filha de 10 anos me
chamou para assistir a um filme que ela, por curiosidade sobre o personagem,
havia pedido ao pai para assistir. O filme é O Pequeno Buda, de 1993, dirigido
pelo grande Bernardo Bertolucci e, para quem já assistiu ou conhece a história
de Buda (Siddhartha Gautama), sabe que a sua vida foi totalmente pautada no
desapego.
O artigo desta
semana não ia falar sobre este assunto, mas como o momento que estou passando
em minha vida agora tem tudo a ver com desapego e este filme veio “cair no meu
colo” justamente agora, com certeza trazido pela Lei da Atração, não posso
ignorar que muita gente precise ler sobre o assunto, incluindo, eu mesma.
Mas vamos ao que
interessa.
A Lei da Atração
nos traz aquilo com o que estamos sintonizados.
Como já sabemos,
uma das maiores ferramentas para que ela funcione de acordo com o nosso desejo,
é a gratidão.
Na verdade, o
sucesso da aplicação da Lei da Atração, é uma sequência de passos que já vimos
no livro O Segredo, no filme e em tantas outras literaturas, bem como nas
palestras do CONLAOS e de outros cursos dos quais já participamos.
A sequência seria
assim:
EU QUERO (DECIDIR
O QUE SE QUER)
EU POSSO
(ACREDITAR QUE É POSSÍVEL)
EU CONSIGO (TER FÉ
CEGA QUE VOCÊ CONSEGUE)
EU MEREÇO
(ENTENDER QUE VOCÊ É MERECEDOR)
EU PERMITO (DAR
PERMISSÃO AO UNIVERSO, OU SEJA, DAR ESPAÇO, LIBERAR)
EU ACEITO (SENTIR
QUE JÁ É SEU)
EU RECEBO (TOMAR
POSSE DO QUE É SEU)
EU AGRADEÇO
(AGRADECER ANTES COMO SE JÁ TIVESSE RECEBIDO, AO RECEBER E DEPOIS QUE RECEBER)
De todo o
processo, o passo que eu acho mais difícil, é o PERMITIR. E é aí que entra o
nosso assunto, o DESAPEGO.
Desordem - largar
tudo e cair no mundo
De acordo com a
Lei da Impenetrabilidade, descoberta por Archimedes ao gritar Eureca, “dois
corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo”. Isso também é válido
para as coisas abstratas, como pensamentos e sentimentos. Você pode até
alternar sentimentos antagônicos, mas cada um deles estará ocupando o seu
coração e a sua mente de cada vez. Partindo desse princípio, seria correto
dizer que dois pensamentos diferentes e contrários, não podem ocupar o mesmo
espaço em nossa mente e, portanto, quando um entra, o outro tem que ceder espaço
automaticamente.
Quando fazemos um
pedido ao Universo, temos que “fazer espaço” para que o que queremos chegue até
nós. Por exemplo, queremos uma roupa nova, mas se não fizermos espaço no guarda-roupas
para que ela seja colocada lá, será difícil que ela “venha até nós”. Queremos
um novo amor, mas continuamos ocupando o nosso coração com mágoas e recordações
do(s) antigo(s) amor(es) e não damos assim oportunidade para um novo alguém.
Queremos um novo emprego, mas o pensamento de começar tudo de novo em outro
lugar nos trava de medo, e assim, a vaga irá para outro de mente mais corajosa.
Queremos uma casa nova, mas quando pensamos em deixar a atual, somos invadidos
por uma dor no coração, a famosa “dó”. São todas sensações de perda…
A sensação de
perda é a falta de fé. E a falta de fé gera a dúvida. E a dúvida não combina
com a certeza, ou seja, elas não podem ocupar o mesmo lugar no nosso coração e
na nossa mente, e aquela que falar mais alto, tomará conta de nós.
O desapego é parte
fundamental no processo do receber coisas novas e o mais importante de tudo é:
desapegue-se do resultado do seu pedido. Peça ao Universo, mas não cobre dele
os resultados. Deixe-o agir!
O meu novo
projeto, que expliquei no artigo Realizar um sonho com o poder da mente e a Lei
da Atração, implicará em um novo estilo de vida, muito mais leve, mais livre,
mais desapegado. Viajar em motorhome, por si só já nos faz pensar no essencial,
nos faz abrir mão do supérfluo. Quando essa viagem é longa, o supérfluo vira
desnecessário, pois se ficarmos um bom tempo sem aquilo, e sobrevivermos,
indicará que ele não era tão insubstituível assim. Vamos considerar ainda, que
muitos trechos dessa viagem, serão feitos em bicicleta, ou com a mochila nas
costas, o que reduzirá ainda mais a nossa carga de coisas dispensáveis.
Tudo isso poderia
parecer simples, se não fosse o fato de que estamos partindo de uma casa de 4
dormitórios em um terreno de 1.080 metros quadrados, cheios de móveis, roupas e
tralhas acumuladas em 15 anos de casamento, dos quais 10 com filhos. É muita
coisa para destralhar (Gosto muito desse texto aqui que fala sobre isso). Além,
é claro, de ter que vender a própria casa!
Não é fácil abrir
mão de tudo isso, mas tem momentos na vida em que temos que jogar fora o resto
da nave para salvar a cápsula, que é onde estão os tripulantes. Este é um
deles. E eu sei disso!
Para mim é a
terceira vez que enfrento esse processo. Para meu marido é a segunda. E em
todas as vezes, a mudança foi sempre para melhor. Eu confio nisso e agradeço!
Portanto, se você
quer que a Lei da Atração funcione na sua vida, além de pedir, mentalizar e
agradecer, você terá que permitir, aceitar o novo, e isso só é possível com o
desapego ao velho, ao inútil, ao contrário ao que você quer.
Com isso não estou
dizendo que você tenha que fazer como Buda ou como eu, largar tudo e cair no
mundo. Este é o meu sonho, não o seu! Mas procure destralhar o que é supérfluo
para você, de modo que o novo possa vir. Comece pelos seus paradigmas, pelas
suas crenças limitantes, pelas suas ideias fixas, preconceitos, sentimentos
ruins, doenças, más companhias, vícios, etc. e, por que não, coisas materiais
também, coisas que não lhe servem mais, que só ocupam espaço e que você sabe
que nunca irá usá-las. Tranqueiras, tralhas.
Destralhe-se! Destralhe
sua mente, seu coração, seu corpo, suas gavetas, sua casa.
E parafraseando,
em trocadilho, o grande poeta português Fernando Pessoa: “Destralhar é preciso,
viver não é preciso”!
Desejo a vocês uma
semana abençoada e destralhada!
Abaixo o
verdadeiro poema de Fernando Pessoa para reflexão.
Poema
Navegadores
antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”.
Quero para mim o
espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é
necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em
gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu
corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la
de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada
vez mais assim penso.
Cada vez mais
ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a
pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em
mim tomou o misticismo da nossa Raça. Fernando Pessoa
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Bem-aventurados os pobres de espirito
27/04/2011 _ IETB – 20h00min – 4ª feira
SENSIBILIZAÇÃO – I – A SOCIEDADE EM QUE
JESUS VIVEU
Era uma sociedade substancialmente agrícola. Não era uma
sociedade industrial como a nossa.
A propriedade da
terra na Palestina, Judéia, Samaria, Galileia, estava concentrada nas mãos de
pouca gente.
Diante desta
situação Cristo tem uma atitude bastante critica, quando o Evangelho fala de
riqueza; em geral entendemos riqueza por dinheiro, por moeda. Enquanto a
riqueza principal daquela época era a
propriedade da terra.
A proposta
positiva do Cristo é a partilha.
Cristo é contra a concentração da terra nas mãos de poucos.
Todos os
discípulos de Jesus têm de partilhar os bens, têm de entrar numa economia de
partilha, de socialização, para poder seguir Cristo. Ou seja, é impossível ser
rico e ser seguidos de Cristo. Na perspectiva de Jesus isto aparece muito
claro.
·
Artesanato trabalho manual
em cima de qualquer matéria, com instrumentos muito rudimentares, primitivos,
mais desenvolvido nos grandes centros, como em Jerusalém, onde havia uma camada
de artesões mais qualificada.
Jesus era artesão. Ele era um carpinteiro do
interior, sem grande qualificação. O pai de Jesus, São José, também era
carpinteiro. A profissão passava de pai para filho. Na verdade, ele era um
artesão pobre.
·
Existia
nas pequenas cidades um comércio local
(feiras), onde se fazia a troca, de produto.
A economia
monetária, a circulação de dinheiro, era muito reduzida.
Mas havia os
grandes mercados, como o de Jerusalém, com o controle de grandes comerciantes. Eram mercados
atacadistas, que faziam importações, como o mercado do templo.
É importante
guardarmos este dado: a economia era
principalmente rural e tem muito pouco a ver com a nossa sociedade moderna,
onde a economia agrícola é na verdade uma economia de exceção, controlada pelo
pólo industrial que leva â frente o progresso de um país moderno.
Hoje a exploração
ocorre no nível de salário. No tempo de Jesus, a exploração ocorria no nível de
impostos, que literalmente esmagavam o povo.
Não é à-toa que os
romanos dominavam a Palestina, que a tinham transformado em colônia. Eles
estavam ali para tirar bens econômicos do povo, através dos impostos. O sistema
de impostos era o canal principal pelo qual o povo era explorado pelos
colonizadores romanos.
Havia dois sistemas
de impostos: _ O romano e o religioso.
O Imposto Romano: Era dividido em três tipos:
a) Debário: Pago por cabeça através de recenseamento
ou censos. O próprio Jesus nasceu numa época de recenseamento e, naquele tempo,
houve um grande levante revolucionário na Galileia. Surgiu o movimento
guerrilheiro denominado “Zelotismo” dos Zelotes, que perceberam que o
recenseamento nada mais era do que a forma de garantir o imposto por cabeça.
b) Produção: Um quarto da produção agrícola (25%) era
entregue nas mãos do colonizador romano.
c) Circulação: Nas grandes cidades, nas encruzilhadas,
nas divisões das províncias, era taxado um tributo de circulação.
O Imposto Religioso: Era imposto
judaico, para o templo, tem também três tipos:
a) DRACMA: Pago por cabeça.
b) PRIMÍCIAS: Todo primeiro fruto da terra ou do
animal era entregue no templo, ao sumo sacerdote. E até mesmo todo filho que
nascesse tinha de ser entregue simbolicamente ao Templo, através de um animal.
Os ricos entregavam camelos ou bodes; os pobres, um par de rolas ou de
pombinhos. Quando Jesus foi apresentado ao Templo, São José levava um par de
rolinhas para ser entregue no lugar da criança.
c) dízimo:
Dez por cento (10%) da produção vai para as mãos do sumo sacerdote, da classe
sacerdotal’ do Templo. E não havia um só dízimo, havia três ou quatro tipos:
Dai percebemos o quanto era profundamente explorado o povo no tempo de Jesus
exploração que se fazia através do sistema tributário.
Política:
Somente entendendo o funcionamento da economia e que
se entende a significação política de uma crítica ao Templo.
No tempo de Jesus,
o Estado é o que chamamos hoje de teocrático _ Estado religioso. A
constituição, as leis são a Bíblia, os cinco primeiros livros chamados
Pentateuco. Ela e a constituição, o código penal, o código civil.
O sumo sacerdote é
o dirigente político da nação dirigente político da nação. Existe ainda o
Sinédrio, que é uma espécie de tribunal, de conselho, formado por 80 homens que
dirigem a nação, tendo à frente o sumo sacerdote.
A Igreja judaica
era a sede do poder político, e o sumo sacerdote, o governante da nação.
Quando Cristo, por
exemplo, cura em dia de sábado e não observa as tradições, ele está tendo um
comportamento subversivo, antipolítico.
Só levando isso em
consideração é que entendemos o quanto Cristo era político, o quanto ele rompia
com a ordem social porque para fazer política bastava praticar religião de
outra maneira. Isso era política de oposição.
Estruturas De Classe:
A sociedade era piramidal, como a nossa, por sinal. A classe alta era composta pelos
funcionários, pelos detentores do Estado: Sumo Sacerdote, Sinédrio e Estado
romano, O rei Herodes, o governador Poncios Pilatos e a Corte, Esse era o
primeiro pólo da classe rica,
O segundo pólo da classe rica era constituído pelos
proprietários de terra, pelos latifundiários, famílias tradicionais, donas de
terras. Por fim, tinham os grandes
comerciantes do mercado importador-exportador, do mercado atacadista, sobretudo
de Jerusalém.
Depois da classe
rica, vinham os “remediados”. Eram
os artesãos qualificados, dos grandes centros urbanos, que não eram tão grandes
assim.
Além dos artesãos,
a classe intermediária era
constituída pelos pequenos agricultores, pequenos comerciantes e profissionais
liberais, que, naquele tempo, eram os escribas e os fariseus. Na verdade, os
escribas não eram ricos. Era uma classe intermediária que estava em ascensão,
com a hegemonia da sociedade. Nessa posição havia a classe do baixo clero, os
sacerdotes do templo e os levitas, que giravam em torno de 17 mil pessoas. Como
os sacerdotes naquele tempo casavam, constituíam famílias, existia cerca de 80
mil pessoas dependentes deles. Por aí se compreende como deveriam ser altos os
impostos, porque estas oitenta mil pessoas eram totalmente sustentadas pelo
fisco.
Por fim, a classe baixa, formada pelo povo. O povo era muito fragmentado,
tanto que o Evangelho diz “multidão”. O que é multidão? É a massa de gente, sem
maior coesão interna, sem espírito de classe.
No meio do povo
existia toda a sorte de trabalhadores. Eram artesãos do interior, diaristas,
arrendatários rurais, escravos, criados, e também existia toda a sorte de
marginalizados: Leprosos (que eram os últimos dos últimos), Doentes, Mendigos,
Órfãos, Viúvas, Estropiados, Loucos, Possessos. Chamavam de possessos as
pessoas que, por causa de suas condições sociais, ficavam loucas. Isso mostra o
nível a que estava reduzido o povo, o grau de deterioração das condições de
vida.
O critério de sangue também prevalecia: uma pessoa de
sangue judeu tinha mais status social do que outras. Um filho de uma pessoa
adúltera ou de um estrangeiro ou de um samaritano já não tinha muita
consideração,
Se a pessoa era
rica, mas pertencente a uma profissão considerada pecaminosa, também era
desprestigiada.
Naquele tempo, um
fiscal, estava economicamente bem posicionado, porque teve de comprar essa
posição já que ela era leiloada e rendia muito. Em geral, os fiscais se
tornavam rapidamente ricos.
Mas o povo considerava
que mexer com dinheiro era uma profissão pecaminosa, por isso os fiscais eram
desprezados e marginalizados Assim entendemos porque Jesus almoçou com eles.
Foi porque eles eram ricos? Não, porque eram marginalizados.
Também os
trabalhadores do campo eram desprestigiados, devido à própria função que
impedia a prática escrupulosa da Lei.
Grupos Políticos:
Existiam três grupos
políticos principais:
1 – Saduceus: Nele se encontrava a classe rica: O alto
clero, os proprietários de terra (anciãos). Era um partido totalmente
“capacho”, pró romano. Era extremamente conservador e reacionário. Este grupo
se concentrava em torno do templo, tinha os papéis principais’ do governo
colegiado do Sinédrio e detinha o poder político.
2 – Fariseus:
Composto por leigos,
da classe média ascendente, porque os fariseus e os escribas controlavam a
interpretação da Bíblia. Como saber é poder, eles estavam subindo na sociedade
e adquirindo bastantes postos no Sinédrio, dentro do governo Judeu. O grupo era
formado pelos intelectuais do templo, pelos advogados, copistas, teólogos.
Tinha uma resistência pacifica. Seus membros pagavam os impostos e se submetiam
para evitar o pior. Procuravam ganhar espaço pouco a pouco, com o tempo.
Seus partidários
se concentravam em torno da Sinagoga, porque aí era o lugar em que se lia a Lei
de Deus, Era a liturgia da palavra. Eles dominavam porque eram os únicos que
sabiam ler e interpretar a Lei Bíblica. Detinham a direção moral, intelectual;
o povo confiava neles. Então, na verdade, detinham o poder na mão. O povo era o
aliado natural dos fariseus,
3 – Zelotas: É um grupo radical, que rompe
definitivamente com os romanos e adota a prática da guerrilha, da violência
armada. Nascido na Galileia, é integrado, sobretudo por camponeses escravizados
por dívidas.
Visa realmente
destruir a estrutura política romana e também o poder judaico “capacho” dos
saduceus. Em certos momentos, fazem alianças com os fariseus.
Para entender como
é que Jesus se posiciona diante dos revolucionários, é necessário lembrar que
esse partido tem um projeto nacionalista na cabeça. Além da independência da
Palestina, ele tem um projeto expansionista, imperialista. Quer colocar o judeu
no centro e sobre todos os outros povos, e criar um império mundial judeu. O
César judeu seria uma espécie de César-Moises, César Bíblico que dominasse o
mundo, já que isso estava nas profecias da Bíblia.
No projeto dos
zelotas havia também a restauração de teocracia, do rei santo, muito parecido
com Davi.
Existiam ainda
outros partidos de significação menor, como os essênios, os heroditas e outros,
e tinha também o povo, o “povilhéu” como era chamado a gente da terra. Era o
povo sem organizações populares de base e que estava mais sob a dominação dos
saduceus e dos fariseus.
Cultura: Características básicas da cultura
na época de Cristo:
1 – Legalismo:
A ideologia
preconizava o culto e a observância rígida da Lei. A Lei era uma espécie de
força que impedia toda a criatividade, toda força, exuberância.
Esse legalismo,
mantido, sobretudo pelos escribas, pelos doutores da Lei, era extremamente
funcional.
Servia para
acobertar as iniquidades do regime e manter o povo dominado. O legalismo não
era um desvio puramente moral ou religioso. Tinha uma função também política.
Por que a Lei era
tão rigidamente aplicada? Para poder manter o povo submetido, O conhecimento
dos doutores da Lei se baseava em uma espécie de conhecimento se ereto,
esotérico, ou seja, somente eles sabiam ler e interpretar a Lei. E isto era
feito com um vocabulário complicado, difícil, de modo que deixavam o povo
confuso e crente de que eles entendiam os mistérios de Deus. Assim o
povo entregava sua liberdade nas mãos dos fariseus, dos doutores da Lei. Só
desse modo compreendemos as violentas investidas de Cristo contra os Escribas e
os Fariseus. No capítulo 23 de Mateus, lemos um dos textos mais violentos de
toda a literatura antiga: “Ai de vós,
Escribas e Fariseus hipócritas, que sequestrastes as chaves da casa da
ciência”. E, falando do saber secreto deles “Vocês não entraram nela e impedem
aos outros que entrem”. As investidas de Cristo são contra esta carapaça
que Escribas e Fariseus mantinham em cima da consciência do povo.
2 – Messianismo: Nessa situação
intolerável de exploração econômica, de dominação política, de marginalização
religiosa, as esperanças em um libertador se aguçavam de maneira extrema.
Esperava-se um Messias para libertar o povo dessa opressão, dessa situação
intolerável. O povo imaginava o Messias do tamanho de seu desejo e de suas
necessidades. Ou seja, o Messias seria
um grande benfeitor que viria trazer pão, saúde, libertação de todas as
opressões.
Mas que Messias?
Aquele que vinha libertar a Palestina da dominação romana para fazer com que
pudessem ler, estudar e praticar a Lei com sossego. É outro tipo de Messias, é
um Messias também de classe.
O povão esperava o
Messias realmente material e a espera era feita de uma maneira urgente,
delirante, de uma hora para outra. Isso porque a situação estava insuportável
que pior não podia estar.
Um historiador
romano, Flávio Josefo, conta que na época em que Jesus viveu surgiram cerca de
trinta messias, dizendo-se reis, libertadores. Todos acabaram mortos,
massacrados pelo poder romano. Quando apareceu João Batista, o povo perguntou
se ele não era Messias. Assim ocorreu com Pedro, Judas Galileu e também com
Paulo. Havia uma expectativa incrível de um salvador, libertador, e se
investiam sobre. as pessoas que apareciam com uma certa perspectiva de
libertação.
Pregação de João Batista
Batismo de Jesus
Jesus vence a tentação
Inicio da ação messiânica
Convocação dos discípulos
Jesus atrai a multidão
Ler As “Bem Aventuranças” de Mateus e Lucas
Jesus aperfeiçoa a Lei
O que se deve
entender por espírito de pobres ou felizes os pobres, pois que deles é o reino dos céus.
Os pobres e a
esperança messiânica
A visão que a
bíblia tem do pobre muda radicalmente no pós exilio. Antes, a partir da
pregação profética, pobreza era uma questão de justiça social e de defesa da
Lei. Com a comunidade religiosa construída na época persa (539-333 a.C.),
centrada na observância das leis canônicas e do culto, a pobreza passa a ser
vista como uma transgressão religiosa. Ser
pobre passa a ser considerado um pecado.
Não que a pobreza
deixe de ser um problema social. A eloquente passagem do Livro de Jó (Jó24,
1-17) mostra que o problema social continua também na pequena comunidade
judaica. Mas agora surge uma nova visão dada pela teologia da retribuição, marco teológico central na comunidade
judaica.
A teologia da
retribuição afirma que Deus retribuirá com bênçãos aos que praticam o culto
puro e perfeito conforme as exigências rituais contidas no Livro Levítico. Tais
bênçãos são a saúde, a descendência, a terra e as riquezas, uma vida longa.
Logo, as pessoas que não podem ostentar essas bênçãos passam as ser
consideradas malditas. Assim, os doentes, os pobres, os migrantes, as estéreis,
os que morrem cedo, os mutilados etc. passam a ser vistos como sinais de
maldição e possuídos pelos espíritos impuros. Se estivessem plenos do Espirito
de Deus não estariam nestas situações de mendicância. Eram pessoas que mereciam
o desprezo por parte das autoridades religiosas da época, as quais os
consideravam genericamente de “impuros” que maculam a pureza da comunidade dos
fieis. Ou seja: além de pobres, “pecadores”. Isso é importante para entender a
pratica de Jesus: quando Jesus acolhe, come e convive com os doentes, ele está
não apenas atendendo os indigentes economicamente.
Ele está também
fazendo uma opção pelos excluídos e marginalizados pelo discurso teológico de
sua época. Para eles Jesus aponta o
Reino messiânico.
A proposta de
Jesus vai para além das categorias de governo e de poder que conhecemos.
No reinado de
Jesus os pobres e marginalizados triunfam sobre os poderes constituídos.
Ele denuncia o
sistema antigo que, em nome de Deus, excluía os pobres, e anuncia um novo
começo que, em nome de Deus, acolhe os excluídos. Tal é o sentido e o motivo da
inserção e da missão da comunidade de Jesus no meio dos pobres. Ela atinge e
combate a raiz da exclusão e inaugura a Nova Aliança.
Jesus anunciava o Reino para todos, não excluía ninguém. Mas ele o
anunciava a partir dos excluídos. Situando-se do lado dos pobres, Jesus
oferecia um lugar aos que não tinham lugar na convivência humana. Acolhia os
que não eram acolhidos. Recebia como irmão e irmã os que a religião e o governo desprezavam e excluíam: os imorais: prostitutas e
pecadores(Mt21,31-32;Mc2,15;Lc7,37-50;Jo8,2-11); os hereges: pagãos e
samaritanos(Lc7,2-10;17,16;Mc7,24-30;Jo4,7-42);os impuros: leprosos e
possessos(Mt8,2-4;Lc11,14-22;17,12-14;Mc1,25-26); os marginalizados: mulheres, crianças e doentes(Mc1,32;Mt8,17;19,13-15;Lc8,2s);
os colaboradores: publicanos e
soldados(Lc18,9-14;19,1-10); os pobres:
o povo da terra e os pobres sem poder(Mt5,3;Lc6,20,24;Mt11,25-26).
A opção de Jesus é clara, seu apelo também: não é possível ser amigo dele e continuar apoiando um sistema que
marginaliza tanta gente. E aos que querem segui-lo ele manda escolher: “ou
Deus, ou o Dinheiro! Servir aos dois não dá!” (Mt6,24). “Vai, vende tudo o que
tens, dá aos pobres. Depois, vem e segue-me”. (Mt19, 21)
Vencer a pobreza é sinal da
presença do Reino de Deus.
Para pode manter-se sempre na missão do lado dos pobres e excluídos e
não se acomodar na mentalidade de “tarefa cumprida”, é necessário um processo
continuo de conversão e de atenção o à realidade do povo, para que a comunidade
cristã possa ser uma amostra do Reino e para que seu estilo de vida seja, de
fato, uma revelação do rosto de Deus, transformado em Boa Nova para o povo de
todas as épocas. Eis alguns aspectos do estilo de vida da comunidade que se
formou ao redor de Jesus e que despois de espalhou pelas periferias urbanas do
Império. São aspectos que caracterizavam a vida solidaria entre os pobres,
verdadeira amostra do Reino, e que marcavam a formação dos discípulos ao longo
dos 3 anos de convivência catequética com Jesus;
1)Todos irmãos – É a
fraternidade ou irmandade de todos ao redor do mesmo Mestre.
2)Igualdade homem e mulher –
Tira o privilégio do homem em relação à mulher. Ele revela seus segredos tanto
aos homens como às mulheres.
3)Partilha dos bens – Na comunidade que se formou ao redor de Jesus, ninguém tinha nada de
próprio. Mas havia uma caixa comum que era partilhada também com os pobres. Ele
dependia da partilha que recebia.
4)Amigos e não servos – A partilha tem como base o econômico, mas deve crescer e atingir a
alma e o coração. A comunhão deve chegar a ponto de não haver segredo entre
eles: “Já não vos chamo servos,...eu vos chamo amigos, porque vos dei a
conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”. Jo15,15
5)Poder é serviço – É o ponto em que Jesus mais insiste. “Pois o Filho do Homem não veio
para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos”.(Mt20,28)
6)Poder de perdoar e reconciliar – O perdão de Deus passa pela comunidade, que deve ser um lugar de
perdão e de reconciliação, não de condenação mutua.
7)Oração em comum – Rezavam antes das refeições, frequentavam as sinagogas e em grupos
menores Jesus se retirava com eles para rezar.
8)Alegria – Jesus diz aos discípulos: “ficai alegres porque vossos nomes estão
escritos nos céus”, porque seus olhos veem a realização da promessa. É alegria
que convive com dor e perseguição (Mt 5,11). Ninguém consegue roubá-la.(Jo 16,
20-22)
Essas são algumas das características da comunidade que nasceu ao redor
de Jesus como amostra do Reino. Ela se tornou o modelo para a comunidade dos
primeiros cristãos urbanos, descrita nos Atos dos Apóstolos.
Essas comunidades de pobres urbanos, tanto os que vieram do judaísmo
quanto os que vieram do paganismo, serve de modelo para todos nós hoje! As
comunidades cristãs, através de seus gestos solidários e da intensa comunhão
fraterna, apontam para a vitória dos pobres diante dos sistemas opressores.
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